O homem que corre por 80horas (500km)

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O homem que corre por 80horas (500km)

Mensagempor Xevious » 23 Jun 2016, 23:14

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ELE TEM MULHER, dois filhos, joelhos perfeitos e 3% de gordura no corpo. Virou ultramaratonista por causa de um pileque aos 30 anos. Defende que o limite do corpo está na cabeça de cada um


Dean Karnazes gosta de dizer que é um cara de sorte. Para ele, sua capacidade de correr 563 quilômetros sem parar, enfrentar 50 maratonas em 50 dias seguidos ou suportar 40 graus negativos em um prova no Polo Sul não passa de uma coincidência feliz. "Tenho apenas um bom corpo e uma baita sorte por poder viver dele." O corredor diz isso com um sorriso que quase convence que ele é um cara comum. "Fui colocado na Terra para correr. Simples assim." Mas, por trás dessa aparente simplicidade, esconde-se alguém com uma profunda vontade de ultrapassar os limites humanos. Aos 46 anos, o americano quer saber qual é o máximo que seu corpo suporta. Foi assim, afinal, que ele começou a correr, 16 anos atrás.
No dia em que festejava seus 30 anos, com o organismo lubrificado de tequila, Karnazes teve um estalo: tirar a roupa e sair correndo. Na hora, a ideia pareceu excelente. Vinte quilômetros depois, em outra cidade e só de cuecas, ficou sóbrio e parou, finalmente, para se perguntar que diabos estava fazendo ali. "Olhei para os lados, vi a manhã nascendo e me senti tão bem que... Bem, que continuei correndo. Queria saber até onde poderia chegar."

Ao fim de pouco menos de 50 quilômetros, ele achou que bastava. Ligou para a esposa, pediu uma carona e desmaiou no carro a caminho de casa, em São Francisco. Acordou transformado em ultramaratonista, alguém para quem os 42,195 quilômetros de uma maratona comum não são suficientes. O desafio é correr no mínimo 100 quilômetros. E correr em ambientes inóspitos, inexplorados ou difíceis de vencer.

    Corre uma maratona pela manhã (42,195 Km) e mais 10 Km à noite

    Batimentos cardíacos em corridas: 150

    Dorme cerca de 4h por noite
    Velocidade durante a corrida: 16Km/h

Em setembro, ele veio a São Paulo. Percorreu 155 quilômetros em 24 horas - e com três costelas quebradas. "Corro porque esse é o jeito como me relaciono com o mundo, como exploro a vida. É minha paixão, algo que faço para entender as coisas ao meu redor."

Aos seis anos, ele já dispensava o ônibus e preferia voltar da escola correndo. Eram três quilômetros, sempre mais longos por causa das voltas que aprendeu a fazer no meio de parques, praças e construções. "Correr significa felicidade e aventura", diz. Ele só parou com o esporte porque, no colégio, o professor queria fazê-lo treinar dentro de uma pista. Dean irritou-se com as fronteiras riscadas a giz e não quis mais saber do esporte até o episódio dos 30 anos, em 1992.

Nos dias seguintes ao pileque, após superar as cãibras e dores do passeio, começou a levar a corrida como hobby, adaptando sua rotina de executivo em uma empresa farmacêutica. Às 4 h, Karnazes acordava, corria 40 quilômetros, preparava o café da manhã da família (ele é casado e tem um casal de filhos de 13 e 10 anos) e ia para o escritório. Oito horas depois, jantava em casa e saía para mais 10 quilômetros. Voltava pouco antes da meia-noite e ia para a cama. As folgas e fins de semana eram aproveitados em provas como os 217 quilômetros da Ultramaratona de Badwater, no Vale da Morte americano, ou os 230 quilômetros para revezamento entre 12 homens - que ele preferiu completar sozinho.

Em 2005, resolveu contar sua experiência nas páginas de O Ultramaratonista, best seller que o tornou conhecido e possibilitou um patrocínio para viver do esporte. O corredor abandonou o emprego, mas manteve a rotina. Seu segundo livro, lançado em setembro no Brasil, mostra como ele conseguiu terminar 50 Maratonas em 50 Dias. "Todo ser humano tem essa vontade de explorar algo, como o universo ou a natureza. Eu quero explorar o corpo."

Mas será que o corpo de Karnazes é o mesmo de um ser humano comum? Ele diz que sua constituição genética não é mágica, mas a revista americana Wired já o classificou de homem perfeito. A Time o chamou de "ativista da saúde" e de "um dos 100 homens mais influentes da Terra". E os médicos afirmam que ele tem algo a mais que a maioria dos mortais. Dean sobrevive com apenas 3% de gordura no organismo (atletas muito bem condicionados costumam ter 8%, enquanto o normal é 12%), descansa com apenas 4 horas de sono e seu coração bate 39 vezes por minuto (alguém fisicamente ativo tem 60 a 70 batimentos por minuto).

Os exames não mostram lesão alguma nos joelhos, articulações ou músculos. Seu corpo, entretanto, é altamente vascularizado, o que pode auxiliar o transporte de oxigênio para as células e tecidos. "Acredito que o segredo para a maior parte das coisas que sou capaz de fazer não está no meu corpo, mas na minha cabeça", afirma.

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ELE CORREU...
    50 maratonas em 50 dias seguidos, dormindo e passando a noite em ônibus
    uma maratona no Polo Sul, a - 40ºC
    563 km sem parar durante 81 horas
    217 km na maratona de Badwater, no EUA, com temperaturas que chegam a 50 ºC

Em seus livros, o ultramaratonista diz que é sua capacidade de aprender com os erros e não ter medo de falhar que o ajuda a transcender os limites. "Gosto do fracasso porque se você não chegar até esse ponto não sabe qual é o seu máximo", afirma. "A maioria das pessoas está tão preocupada com a vergonha de perder que, simplesmente, não tenta o bastante."

Além disso, ele tem controle de seu corpo o suficiente para empurrá-lo ao extremo. "Em muitas ocasiões minhas pernas emperraram e eu quase sucumbi ao cansaço, mas disse 'não, não vou parar'. Cinco minutos depois, estava na pista novamente." Durante suas experiências já teve alucinações, cegueiras temporárias e chegou até a dormir em pé. Mas nada capaz de fazê-lo parar. "Eu ainda acho que sou invencível. Sei que é uma atitude infantil, mas realmente acredito, porque meu corpo nunca me deixou na mão."

A data marcada para interromper suas corridas será, provavelmente, quando sofrer algum acidente sério que o impeça de ficar de pé (mas algo sério mesmo. Não esqueça: ele aguentou 155 quilômetros com três costelas quebradas). "Acho que vai ser traumático perceber que estou ficando velho e que não sou perfeito. Por enquanto, eu ainda acredito que sou".

O limite, até agora, foi correr 563 quilômetros, na Baía de São Francisco, há quatro anos. Ele queria chegar a 300 milhas (cerca de 480 quilômetros), mas foi parar na marca de 350 milhas, 80h44 depois, com medo de, talvez, ficar maluco. E não por cansaço físico. "Aprendi a controlar a dor, o cansaço, a fazê-los não me incomodar. Mas, dessa vez, a partir de certo ponto, comecei a perder o controle da minha mente. Ela estava indo para algum lugar onde eu já não conseguia dominá-la. Foi quando pensei uau! cheguei ao máximo." Sim, a cabeça é o limite do corpo.

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fontes:
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