Como quase fui morto por federais

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Como quase fui morto por federais

Mensagempor Anônimo » 07 Jun 2009, 22:20

Meu pai era militar, ficava tentando me convencer a seguir a carreira dele, mas eu não queria.
Mas uma vez ele me veio com uma proposta imperdível, me tornar já de cara, um Sargento, e trabalhar numa área técnica, no caso o controle de trafego aéreo, gostei da idéia, ainda mais porque um salário de Sargento era ótimo perto dos salários dos empregos que eu costumava pegar.
Fiz um curso, pré-concurso, depois a prova de seleção e me saí muito bem.
Enfim encarei a vida de militar, no caso aluno para Sargento da aeronáutica.
Mas antes disso tinha me aventurado pela política de bairro, participava das reuniões do PT e do PC do B(ou seria do PCB) que ainda eram as escondidas, estávamos ainda no regime militar, na época do Figueiredo.
Mas tava gostando da vida de militar, e resolvi assumir essa vida e me desfazer dos elos que me ligavam a vida que tinha antes.
Com isso resolvi devolver uns discos, que tinha pedido emprestado a muito tempo.
Fui até a casa do meu amigo, e entreguei os discos, quando saí, saí junto de coisa conhecidos que também tinham ido visitar ele.
Esses dois, estavam carregando sacolas com garrafas, achei estranho mas não cheguei a pensar em nada na hora.
Caminhamos, conversamos, e nos dividimos, vim pra casa sozinho.

No meio da madrugada, um destes amigos vem na minha casa, mas pelo meio de uma viatura policial, onde me acordaram e o policial perguntou e ele se me conhecia, e se eu conhecia ele, falei que sim, e perguntou a ele se eu estava junto na hora, falou que não, não me falaram nada oq teria acontecido, voltei a dormir, era um domingo. Acordei na segunda, foi ao quartel como costume mas na volta ocorreu algo.
Ao chegar perto de casa vi homens mal encarados, que estavam me olhando, eles estavam espalhados em certas posições e parecia muito que queriam algo comigo.
A medida que vinham na minha direção, resolvi ir a diração de um deles, e perguntei "Oq voces querem comigo?".
Claro, desconfiava que era algo a ver com a noite passada, mas em afinal nem sabia oq era, mas sabia que não tinham nada contra mim.

Mas falaram que tinham, que tinha um cara que teria me reconhecido, não era aquele conhecido que foi na minha casa, mas sim outro, que nunca tinha ouvido falar.
Me levaram até um terreno baldiu e estavam decididor a me bater até que eu confessasse, no caso estes eram os policiais civis, ou como conhecidos por aqui, os ratos.
Sentindo que iria apanhar pra valer, falei que não podia fazer isso porque era militar, mas não me escutaram, queriam me bater de qualquer jeito, mesmo algemado, consegui pegar a carteira de militar do meu bolso atras, mostrei, e falei que não podiam me prender, apesar de que alguns queriam me bater assim, mesmo um superior resolveu desfazer a ordem, e me levaram a delegacia.
Me deixaram por lá, e logo veio o pessoal da Policia secreta da aeronáutica o "A2" e também alguns policiais federais.
Eles me tratavam como se eu realmente fosse um criminoso, me levaram para o quartel onde eu estudava, mas fiquei na prisão de lá.
Estava muito transtornado com isso tudo, passei a cantar o tempo todo, atucanando todos que estavam juntos comigo na cadeia.

Os policiais federais me tiravam da cadeia, volta e meia, pra ter uma conversinha com eles.
Eles usavam a tática do bom e do mau.
Vinha um e falava, é melhor tu falar pra mim, logo, antes que venha meu parceiro, ele sim, seria muito brabo.
Mas a insistência do "bomzinho" ia crescendo, crescendo, até chegar a beira da violência.
Vinha o outro, claro, atucanado a toda, berrava nos meus ouvidos, me ameaçava, gritava, e claro me davam alguns tabefes.
Não tinha nada a dizer, e isso deixava eles muito brabos.

Mas além de estar 'preso' ainda vivia minha vida como aluno de sargento, mas agora, todos desconfiavam de mim.
Foi curioso quando eu tive instruções de morteiro, eu era preciso, muito mais que qualquer deles com muito mais experiência comigo.
Com isso tiveram certeza "ele certamente teve treinamento em cuba".
Quando tive instruçoes de tiro de AK-47, meu desempenho foi ruim, e acharam que eu estaria escondendo meus talentos pra não dar na vista.

Os policiais militares 'me entrevistaram' muitas e muitas vezes sempre com maior intensidade.
Certa vez, desesperado falei que tinha uma prova de que eu não planejava nada de terrorista e a prova seria meu diário.
Eu tinha um diário que tinha 4 anos no mesmo livro, pra conseguir isso eu escrevia muito pequeno, uma linha colocava dois 'anos' diferentes, um em cada parte (em cima ou embaixo).
Era minha esperança de fazer eles me largarem de mão, mas lendo esse meu diário eles acabaram encontrando outras coisas pra me acusar, não diretamente, mas afinal na minha vida como adolescente, eu aprontava várias e várias e tava tudo alí.

Foi até engraçado quando chegaram na minha casa, pra pegar o diário, vieram de várias viaturas, vários desceram inclusive armados de metralhadoras, apontando pra todos os lados, os visinhos se cagaram todos.
Encontravam uma casa com uma senhora velha e uma mãe novinha, vasculharam tudo e encontraram uma coleção de panfletos que tinha, seria uma prova irrefutável que eu seria comunista.

Em outro dia.
Eles me levaram até onde aquele cara que teria me identificado naquele domingo, estaria escondido, ele teria assumido o crime, mas fugiu.
Ah o crime, foi terem jogado uma bomba num onibos, que no caso era parte de um movimento contra os preços das passagens e condições dos onibos.
Pra complicar um pouco mais meu lado, eu a uns tempos antes era o principal articulador contra as empresas de onibos, atuando nas associações de moradores, e reuniões onde elas participavam.

Então, me levaram lá, mas ele não estava, era em Guaiba/RS, e na estrada de guaiba, eles resolveram acabar com o 'problema' deles, ou seja estavam de saco cheio desse 'caso' e queriam acabar ele logo.
Bastaria eu assumir ser o culpado.
Se eu fugisse, também serviria.
E melhor ainda se eu fugisse e eles me baleassem, acabando de vez com o caso.

Eles pararam no meio da estrada de volta e falaram, "Vai, corre, que não vamos fazer nada contra ti"
Falaram isso já com as armas preparadas para dar tiro.
Falei "se querem me matar, vão ter que me matar aqui mesmo"
Sabia que como passavam carros toda hora, não poderiam me matar ali, poderia ser que alguém visse o crime.
Tentaram me persuadir bastante, e pra isso chegaram a dar um tiro entre minhas pernas.
Eu estava muito nervoso, tremendo todo, mas ainda assim, continei no lugar.
Falaram que se eu queria morrer ali mesmo, tudo bem, e apontaram a arma nos meus ouvidos.
A medida que via o dedo apertando o gatilho, fechei os olhos, meu destino seria inevitável, estava algemado não podia fazer nada, se corresse sabia que iriam se divertir atirando em mim.
Deu o tiro, mas foi pro alto, mas foi com o ganhão ao lado do meu ouvido, me deixando surdo por um mes.

Como não tinham nada contra mim, de verdade, me libertaram.
Mas eu não senti mais a vontade de continuar alí estudando pra ser sargento, eu era considerado por todos como um terrorista, tinha perdido todas amizades, e os professores faziam de tudo pra me ralar.
Além deles, outros, chegavam a aprontar várias contra mim.

Emfim, terminei minha vida militar em dois meses, um mes, normal sendo aluno de sargento, bem diciplinado e muito a fim de ser um sargento, e no outro mes, sendo tratado como um criminoso, vivendo um mes na cadeia.

Falaram que um dia iriam me devolver o Diário, e nada.
Sobre os reais criminosos, estão livres, e não passaram por nada perto doq eu passei.


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