Os caçadores das obras perdidas

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Cobra Grande
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Os caçadores das obras perdidas

Mensagempor Cobra Grande » 22 Fev 2011, 00:27

Eles eram restauradores, estudiosos de arte e curadores de museus. Foram à guerra não para matar, mas com a missão de recuperar telas e esculturas roubadas pelos nazistas

Ivan Claudio

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MISSÃO CUMPRIDA
O tenente James Rorimer (atrás) e seus soldados com as pinturas roubadas dos judeus franceses e escondidas na Baviera

Nos estertores da Segunda Guerra Mundial, existia em meio às tropas aliadas um regimento que era chamado pelos outros soldados de “guardiões da Vênus”. O comentário jocoso, como toda boa piada, fazia sentido. Esses militares, em sua maioria americanos, entendiam mais de história da arte do que de balística e eram mais habilidosos em embalar uma frágil escultura de mármore ou uma tela datada de 400 anos do que em desarmar uma mina. Sua função era justamente essa: proteger o patrimônio histórico e artístico dos países envolvidos no conflito, missão que logo se transmutou em outra mais agressiva com a debandada das tropas nazistas. Autores da maior rapinagem artística da história, os alemães haviam estocado em depósitos desconhecidos pinturas e esculturas roubadas de museus, igrejas e colecionadores das nações ocupadas. E não era qualquer obra: na lista incluíam-se trabalhos de Leonardo Da Vinci, Michelangelo Buonarroti, Donatello, Jan Vermeer e Rembrandt van Rijn, só para ficar em alguns mestres do passado. Enquanto o grosso dos batalhões se incumbia de encurralar o inimigo, os “guardiões da Vênus” partiram para recuperar esse valioso acervo. Passaram a ser os caçadores das obras perdidas.

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ACADÊMICO
Stout trabalhava no museu de Harvard, nos EUA. Estava presente na recuperação das peças artísticas da mina de Altaussee


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ESPECIALISTA
O estudioso de arte Ken Lindsay com uma tela da Escola de Botticelli em Wiesbaden, em um depósito de obras roubadas


Um livro que está sendo lançado no Brasil na próxima semana trata justamente da fantástica história desses soldados especiais que ficaram conhecidos oficialmente como Monument Men. Chama-se “Caçadores de Obras-Primas” (Rocco) e foi escrito pelo americano Robert Edsel, um empresário texano da área de petróleo que largou tudo para resgatar a atuação desses oficiais amantes da arte. Edsel acompanha a trajetória de oito deles, com destaque para o tenente James J. Rorimer, especialista em arte medieval e ex-curador do Metropolitan Museum de Nova York; o soldado Lincoln Kirstein, empresário cultural que mais tarde fundaria o New York City Ballet; e o líder de todos eles, o conservador de arte George Stout, que trabalhava no Fogg Art Museum, da Universidade de Harvard. Apesar de centrar-se nesse pequeno grupo, o número de Monument Men chegou a 350 e reuniu voluntários de 13 países. Mais impressionante que o número de integrantes desse esquadrão da Vênus é a quantidade de objetos que eles conseguiram salvar das mãos dos nazistas: cinco milhões.

Para chegar a essas peças, os Monument Men exerciam faro detetivesco: estudavam relatórios do Terceiro Reich, conversavam com diretores de museus e chegavam a obter informações até em consultórios dentários. Isso tudo reunido os levou aos locais mais absurdos, escolhidos estrategicamente como esconderijos artísticos pelos assessores de Adolf Hitler, que sonhava em criar o Führermuseum em Linz, na Áustria, cidade onde passou a juventude. Esses depósitos ficavam em túneis, castelos com paredes falsas e até em minas de sal, que mantinham uma temperatura adequada à conservação de pinturas e estavam à prova de ataques aéreos. A mina mais famosa, à qual foi reservada um dos melhores capítulos do livro, é a de Altaussee, na Áustria. Lá os Monument Men encontraram 6.577 pinturas e 137 esculturas, entre elas a “Madona de Bruges”, de Michelangelo, o “Estúdio do Artista”, de Vermeer e o espetacular “Altar de Ghent”, de Van Eyck. E nenhuma Vênus, para decepção dos soldados rasos.

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TROFÉU
Soldados americanos exibem a obra “A Dama com o Arminho”, de Da Vinci, achada na casa de um oficial nazista em 1945

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COLEÇÃO
A tela “The Falconer”, de Hans Makart. Essa foi comprada por Hitler

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IstoÈ



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