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Minhas senhoras e senhores eis o o Humberto
Qual o teu verdadeiro nome?
Humberto Gonçalves Reis.
E idade?
38 anos.
Nasci em 30 de Setembro de 1971.
Qual a cidade onde vives?


Moro em Guanambi, no Estado da Bahia, há 5 anos.
E aquela que porventura gostarias de viver?
Já pensei em morar em muitos lugares.
Hoje em dia pretendo ficar por aqui por muito tempo, mas Belo Horizonte me atrai para um futuro distante.
Também mantenho em ‘banho maria’ a ideia de viver mais alguns anos na Europa (França ou Itália).
O teu livro favorito?
Não tenho livro favorito, mas sim o mais marcante:

Pai Rico, Pai Pobre.
O que estás a ler?

Actualmente, dois: um técnico e outro ‘normal’.
O livro técnico chama-se Pro-ORL (trata-se de uma série de quatro livros ao ano para actualização profissional.
Ao final, temos de responder a 50 perguntas e enviar para a empresa, com o que obtemos um certificado que conta pontos para a revalidação do título de especialista).
O outro livro chama-se D. Pedro II, de José Murilo de Carvalho, Editora Companhia das Letras. É que gosto muito da história dos monarcas e da monarquia de um modo geral.
E música?
Sou fã dos Ratones Paranóicos, banda argentina de Rock clássico/melódico.
Segundo minha esposa, tocam semelhante a Rolling Stones.
Video from : www.youtube.comSite Oficial: http://www.losratonesweb.com.ar
E Filme?
Vários me agradaram, mas Duna (na versão mais moderna, com William Hurt) foi excepcional.
Video from : www.youtube.comQual a tua série/programa favorita da TV?
Procuro sempre os documentários e algumas vezes o telejornalismo.
O canal que mais vejo é History Channel.
O programa que mais gostava de ver era Who’s Line
Video from : www.youtube.comTens irmãos/irmãs?
Sim.
Éramos cinco, sendo eu o mais velho.
O segundo faleceu aos 33 anos há 4 anos.
O mais novo fará 18 anos neste ano.
A quarta é uma mulher, que tem 30 anos.
Se sim, como era ou é a relação entre vocês?
Excelente!
Conversamos sempre à procura do melhor para todos.
Torcemos um pelo outro e nos preocupamos com o sucesso de cada um.
Praticas algum desporto?
Sempre gostei de desporto.
Sendo assim, joguei futebol, voleibol, basquetebol... Mas nunca fui bom em nada disso. Em 2003 veio o desejo de praticar tiro desportivo, concretizado neste ano de 2010.
Para minha felicidade, tenho apresentado um desempenho além do esperado para um principiante.
Tocas algum instrumento?

[fonte da imagem: Ruadireita.com]
Nada.
És feliz ou tens momentos?
Sou feliz sempre.
Minha vida é cheio de bons momentos e de ensinamentos a cada dia, todos positivos.
Qual foi a decisão mais difícil que precisas-te tomar?
Talvez tenha sido a demissão dos meus empregos no ano de 1998 para poder ir para a Espanha.
Na época tudo foi motivo de festa, afinal iria realizar meu sonho mas hoje em dia vejo que haviam inúmeros riscos.
Como exemplo, se não ganhasse a bolsa do Ministério de Educação da Espanha, não teria o que comer já no primeiro mês!
O que achas sobre a pena de morte?
Duro demais.
Melhor seria termos pessoas muito bem educadas desde o início da vida, para evitar o adulto criminoso.

Meu desejo é uma utopia, sem dúvida.
O que achas que as pessoas têm que fazer pelo menos uma vez na vida?

Correr o mundo.
Qual dia da semana que mais detestas?
Quando criança, era a segunda-feira.

Hoje em dia, acho que é a quinta-feira.
Por quê?
É o dia em que mais trabalho...
Qual parte do teu corpo que não mudarias de jeito nenhum?

Mãos.
Qual a época que gostarias de viver ou de ter vivido?
Gosto de todos os períodos da evolução da humanidade.
Em cada momento da história temos situações em que o pensamento corrente direccionou a vida das pessoas e transformou seu quotidiano, segundo os paradigmas aceitos pela sociedade.
No geral, sou satisfeito em viver nos dias actuais, sabendo que contribuo também para a construção da história da humanidade em meu tempo.
Qual é o preço do teu sonho?

Altíssimo.
Manter a vida – emocional, biológica, social, económica – da forma como a mantenho me custa a cada dia despertar e perguntar a mim mesmo:
‘O que posso fazer hoje para ter uma vida de sucesso?’
Qual é o teu maior medo?
Já tive medo de morrer quando criança, entre 7 e 12 anos.
Inclusive, chorava algumas vezes quando pensava que um dia poderia morrer.
Hoje em dia, sei que tudo o que faço é para me satisfazer e para trazer felicidade para quem vive a meu lado.
Saber que sempre busco o melhor e que essa é a maior realização de uma pessoa me tranquiliza no sentido de não ter medo do que possa acontecer no futuro próximo ou distante.
Qual é a mania mais esquisita que tens?
Não sei.
Minha esposa diz que tenho fases.

Fase de comprar revistas, fase de ler sobre jogos, fase disso, fase daquilo.
Como pretendes passar o tempo que te foi dado a viver sobre a Terra?
Assim como faço: não controlo a vida de ninguém, não converso sobre fatos ou situações negativas de outras pessoas, não perco tempo com problemas.
Transformo todos os acontecimentos em fatos positivos para o dia seguinte.
Procuro ajudar pessoas necessitadas e prefiro ajustar meu tempo às necessidades daqueles que precisam.
Quando eras criança, qual era a profissão que querias ter?

Minha mãe diz que desde muito pequeno dizia que seria médico.
Na adolescência, pensei em ser piloto de avião, mas fui estudando, estudando e naturalmente o vestibular para medicina apareceu na minha frente.
O que gostarias de fazer para mudar o mundo?
Sozinho acho que não mudaria muita coisa.

Talvez o mundo mudasse quando os governantes realmente educassem a população da forma como a população deve ser educada.
Qual era a tua história infantil favorita?
Tinha livrinhos com várias histórias.
Video from : www.youtube.comA dos três porquinhos era muito boa.
Porque decidiu pela medicina, tem mais médicos na família?
Fui o primeiro a entrar na universidade na minha família, contando dos meus avós para baixo.
Há quatro anos, descobri que um parente distante (neto do meu trisavô paterno) foi médico no Rio de Janeiro.
O que o fez pegar gosto de genealogia?
Interesse em saber quem foi meu antepassado, onde morou e o que fez.
Afinal, todos nós temos um pai, que teve um pai, que teve um pai, que teve um pai... Cada um a seu tempo, batalharam por manter a vida e a sua família.
O bairro Vomitamel tem algo a ver com excesso de consumo de mel?

Tudo o que sei desse bairro é que tentaram mudar o nome, mas a maioria das pessoas preferiu mantê-lo assim.
Horrível, mas depois acostuma-se.
Uma vez você disse que a felicidade mora em Guanambi. Diga por quê?
Porque em Guanambi encontrei o ambiente e as condições ideais para desempenhar meu trabalho da forma que sempre imaginei.
Com isso, passei a ter tempo para a família e para actividades de lazer.
Os serviços que você presta para a prefeitura de Guanambi são beneficentes?
Os pacientes são atendidos sem ônus, seja para consulta, procedimentos ou cirurgias, mas a prefeitura remunera por cada serviço prestado ao final do mês.
As consultas são oferecidas apenas nas quintas-feiras (como disse acima, é o dia em que mais trabalho) e os procedimentos em qualquer dia.
As cirurgias ocorrem apenas nas sextas-feiras.
Porque a paixão por carros antigos, tiro desportivo e relógios?
O gosto pelos relógios veio em 1998, quando peguei um catálogo da Baume e Mercier.
De lá para cá, li bastante sobre horologia.
Participo desde 2004 de um fórum nacional de relógios ( http://forum.relogiosmecanicos.com.br ), onde encontrei muitos amigos e aprendi muito sobre o universo da horologia.
Os carros antigos sempre me fascinaram, mas o dinheiro curto me impedia de comprar um carro estourado e arrumá-lo por completo.
Em Dezembro de 2006, entretanto, não resisti aos R$2.750,00 que custava o fabuloso VW TL 1974, todo arrebentado.
Treze meses depois, eis que circulava eu triunfante pelas ruas de Guanambi.
TL arrebentado
TL novo
O que faz no tempo livre? [se é que tem]
Meu tempo livre se resume às noites, durante a semana, às tardes e noites de sábado e ao domingo.

Nas noites de segunda a sexta costumo ler algum livro, usar o computador (Internet ou textos próprios) e revisar as actividades da escola do filhão.

Nas tardes de sábado fico em casa, ou saio para praticar o tiro desportivo, reservando as noites para jantar com a família.

Nos domingos pela manhã costumo praticar tiro desportivo e nas tardes e noites passeamos todos pela cidade.
Qual seu objectivo para os próximos 5 anos?
Para os próximos cinco anos pretendo manter a prestação de serviço exactamente da forma como hoje realizo.
Quanto aos investimentos, minha meta é comprar, comprar e comprar para, no final, vender.
Quando ao tiro desportivo, pretendo iniciar no Campeonato Brasileiro de Tiro ao Prato, mas as dificuldades em encontrar um bom local para treino podem me ‘empurrar’ para o tiro de carabina a 50 metros.
Acredita que amigos virtuais podem ser amigos na vida real ?
Sim.
Tive o privilégio de encontrar dois amigos virtuais: um deles foi Ipaq_boy, membro do PortalPPC.com, um site português sobre PocketPC e outras tecnologias móveis.
O encontrei em 2004, quando fui à Madrid entregar minha tese doutoral.
O outro foi Marcos Sá, membro do Fórum de Relógios Mecânicos.
O encontrei no Aeroporto de Guarulhos, quando ele voluntariou-se para entregar-me os meus exemplares do RM2 (um relógio produzido pela Orient em série limitada apenas para os membros do fórum).
RM2, da minha esposa e meu:

Qual seu maior desejo?

Que tenha tranquilidade financeira no momento em que não tiver mais condições de – ou não queira – trabalhar diariamente.
Se pudesse morar em outro lugar, onde seria?
Neste momento não penso em morar noutro lugar.
Qual a principal lembrança que tem de sua infância?

Do pé de jabuticaba no fundo do quintal, do trilho de trem no caminho para escola, da bicicleta na rua.
Se arrepende de não ter feito algo na vida? O que?
Não me arrependo de nada.
Tenho muito cuidado para não deixar de lado as coisas que julgo serem importantes para minha realização pessoal.
Descreva o ambiente onde você está neste momento.
Estou na sala, de costas para a TV.
Uso uma mesinha pequena, que serve para anotações e telefone.
Coloquei o notebook aqui e comecei a responder.
Ao lado está o livro do D.Pedro II que citei acima.
Na sala, neste momento, não há mais ninguém, pois meu filho acabara recentemente as lições da escola e foi para seu quarto.
A filhota dorme desde que cheguei, às 19h.
A esposa, que estava aqui também, foi para o quarto ler um livro que a dei de presente sobre Gestão Educacional.
Você só patrocinava o time da Policlínica Guanambi ou também jogava?
O time de futsal da Policlínica Guanambi foi uma tentativa de apoiar o desporto na cidade.
Aqui é muito comum os homens jogarem futsal ou futebol de campo.
Muito mais do que no sul.
Então, não tive dificuldades em encontrar um grupo de 15-20 pessoas dispostas a jogar duas vezes por semana para treinar ou disputar campeonatos.
Nas quartas-feiras, jogávamos das 20h às 22h na quadra da escola ao lado da Policlínica (onde estudam o Gabriel e a Laura) e nos domingos jogávamos das 10h às 12h no Ginásio Municipal de Guanambi.
Eu jogava somente nas quartas, pois nos domingos os jogos valiam pelo campeonato e eu, digamos, não estava no mesmo nível dos demais.
É emotivo a ponto de chorar?
Depende.

Nos últimos anos percebo que me sensibilizo com factos que mudam a vida das pessoas, mas não cheguei a chorar.
O que você faz para se divertir?
Me divirto várias vezes por dia.
Por vezes me lembro de uma conversa engraçada com algum amigo, ou de algum fato da adolescência ou infância.
Isso me alegra profundamente.
O que mais te comove?

A injustiça me deixa profundamente revoltado.
Se fosses comprar um carro qual seria? [não vale TL, rsrs]
Eu sempre gostei de Porsche.
É meu sonho.
Como ele custa um pouquinho mais do que pretendo gastar com um carro, estava contente com um Jetta para a próxima compra.
Quando minha esposa falou que queria trocar de carro, comecei a intensificar as buscas.
Nisso, li uma reportagem na qual o Fusion ‘dava de relho’ no Jetta.
Murchei. Comecei então a elaborar mentalmente o Fusion na garagem, quando ela – sempre ela – sugeriu o Captiva.
Depois de muito sim, muito não, acabei por comprar o tal Captiva para ter paz em casa, pois não era um carro que me chamasse a atenção.
Hoje, estou satisfeito com o carro, que é muito bem construído e confortável.
Quanto ao Porsche...
Video from : www.youtube.comPassaria por cima de algum amigo para se dar bem na vida?
Jamais.
Gosto das coisas bem esclarecidas e não me sinto bem quando obtenho vantagem sobre o prejuízo alheio.
O que mais te deixa P da vida?
Pouca coisa.
Sou muito tranquilo.
Acho que a única coisa que me revolta de verdade é a injustiça, principalmente quando ela se faz mediante o uso do poder contra alguém desfavorecido.
Você é vingativo?

Não.
O que fez vc gostar de fóruns de conversação?
É um lugar onde podemos trocar idéias sobre todas as coisas.
Também é um lugar onde podemos encontrar gente que aceita discutir sobre temas que nem sempre os amigos próximos querem falar.
Consegue ficar quantos dias sem Internet?
Quantos precisar.
Estive em Salvador recentemente por quatro dias e nem me lembrei da Internet.
Como conheceu o Forummania?

Não me lembro mais, mas foi em 2004, quando buscava ampliar meus horizontes.
Cite 3 motivos que o fariam desistir de participar do nosso fórum?
Apenas um motivo: entrar e ver discussão repetitiva mente besta.
Qual o teu objecto de estimação?
Não tenho.
Qual o luxo que gostarias de usufruir?

O maior luxo para mim é não precisar trabalhar.
Diz-no um vicio que não consegues deixar.
Acho que não tenho vícios.
Nunca fumei, nunca me droguei.
Bebi exageradamente na juventude, mas hoje posso ficar sem bebida alcoólica numa boa.
És pessoa de rituais? Quais?
Não. Perde-se muito tempo com rituais e superstições.
Um fim de semana ideal é?

Aquele que se emenda com dois dias de feriado.
O que não fazes da meia-noite às seis?
Telefonar para as pessoas.
O que achas do governo do teu país?
A política nacional privilegia os corruptos.
Ainda fazes coisas de criança?
Não sei...
Por vezes penso em elaborar joguinhos (de tabuleiro, de cartas ou outros tipos) para adolescentes, mas isso não é propriamente fazer coisa de criança, ou é?
Qual foi o maior azar da tua vida?
Acho que não tive situações de azar, ou – se as tive – foram revertidas em sucesso.
Posso relatar, por exemplo, o episódio da bolsa para o Japão, oferecido pelo Consulado de Porto Alegre ao melhor candidato.
Na época, tinha três anos de língua japonesa na bagagem e fazia um curso de conversação na PUCRS.
Venceu uma nissei, que falava um japonês muito natural e demonstrou muito conhecimento da cultura e hábitos japoneses.
Video from : www.youtube.comÓbvio que ela tinha mais condições do que eu para viver por um ano no Japão.
Esse episódio (azar para uns e fato da vida para outros) me fez perceber que dificilmente eu seria o melhor candidato para uma bolsa daquela tipo, pois sempre haveria um candidato descendente de japoneses a concorrer comigo.
Dada a constatação, parti para o estudo do espanhol, que culminou com uma vaga para doutorado em Madrid e uma bolsa oferecida pela AECI, agência do Ministério da Educação da Espanha.
Tive azar ou sorte no evento que narrei?
Sorte, do início ao fim! Sorte de ter antecipadamente realizado os estudos de japonês, que me deram confiança para participar de um concurso oficial, que me fez perceber que o ‘buraco era mais em-baixo’ e que me fez mudar o rumo inicialmente traçado, num momento em que tinha força e vontade suficiente para iniciar do zero um novo curso de idiomas e uma nova trajectória de vida.
O que é que esperas da tua velhice?

Tranquilidade financeira.
O que gostarias de ter dito e que nunca tiveste coragem para dizer?
Quem quebrou aquela tartaruga de porcelana no supermercado fui eu!
Tens um incêndio em casa e só podes salvar três coisas, quais eram?
Meus dois filhos e minha esposa.
Se eles estiverem a salvo, não preciso de mais nada.
Se tivesses oportunidade de criares uma instituição, qual seria e por quê?
Seria uma instituição voltada para a educação, filosofia, sociologia e política.
Porque são temas que podem mudar a sociedade.
És contra ou a favor da legalização da prostituição?
A favor.

Ela existe e serve como sustento para muitas mulheres, então é trabalho.
Se é trabalho, pode-se legalizá-lo.
Qual foi o factor que foi decisivo para sua mudança pra Guanambi?
A dificuldade que encontrava no litoral do Rio Grande do Sul para trabalhar da forma que julgava ser mais adequada e justa para mim e para o paciente.
Essa constatação me fez realizar uma busca pela Internet, na tentativa de encontrar um lugar que tivesse os seguintes requisitos:
A- longe de centro formador de médicos;
B- poucos otorrinos na cidade;
C- próximo de uma faculdade de administração (pois minha esposa era estudante, ainda). Das opções que achei, Guanmabi me pareceu ser a mais promissora.
Afinal quais cidades você já morou, e o que fazia nelas?
Nasci e vivi em São Francisco do Sul (Santa Catarina) até os 10 anos de idade.
Dos 10 aos 12 morei em Joinville, que fica 40Km ao lado de São Francisco do Sul.
Dos 12 aos 27 anos morei no Rio Grande do Sul, ficando em Porto Alegre até os 24 anos e em Tramandaí dos 24 aos 27 anos, quando já estava formado e trabalhava em plantões de emergência nas prefeituras do litoral.
Dos 27 aos 29 anos morei em Madrid.
Lá, eu estudava e trabalhava numa empresa de atendimento médico por telefone (uma espécie de 0300).
Dos 29 aos 33 anos morei em Tramandaí e São Leopoldo, trabalhando como otorrinolaringologista das mesmas prefeituras onde outrora havia trabalhado como clínico plantonista.
A mudança para São Leopoldo ocorreu para melhorar o acesso da esposa à universidade, mas resultou em alto nível de estresse pra mim (acordei várias noites com palpitação e tive aumento de colesterol), motivo pelo qual retornamos ao litoral em menos de um ano. De maio de 2005 até hoje, moro em Guanambi.
Participou da Tomatina, se sim conte para nós.
Não.
Sei que existe, já vi reportagens na Espanha e aqui no Brasil (e aqui no fórum também!), mas não participei.
Fale sobre seu TL características, História, Planos.
É um modelo frente baixa (o modelo antigo é o famoso frente alta), de produção normal do ano de 1974 (alguns TLs foram produzidos em série especial e possuem uma faixa preta na lateral).
Ao reformá-lo, percebemos – o chapista, o pintor e eu – que havia tinta amarela por baixo do vivil do painel.
Sua cor, que era ocre, passou a ser então amarelo safári.
O reformei todo e comprei separadamente cada pedacinho que hoje compõe o carro.
Escolhi os aros, os pneus, o volante, os bancos.
Tudo foi escolhido meticulosamente para que o TL desse prazer ao dirigir.
Hoje, meu filho tem o TL na alça de mira.
Me perguntou certa vez se eu pretendia deixar o TL ‘para a eternidade’.
Lhe respondi que o TL ficaria connosco e que poderia ser dele no futuro.
Desde então, o grande sonho do meu menino é atingir os 18 anos para poder meter a mão no carrinho...
Otorrinolaringologia é uma profissão somente ou gosta mesmo da área?
No primeiro ano da faculdade, numa festa que tradicionalmente o segundo ano oferece aos alunos do primeiro ano, um dos veteranos comentou sobre um caso de um paciente com cerume no ouvido e sobre a dificuldade em remover tudo do ouvido.
Naquele instante, pensei: Jamais serei otorrino!
Comecei querendo cardiologia e mudei, ainda no primeiro ano, para cirurgia plástica (porque tinha um professor excelente de anatomia que era cirurgião plástico).
Depois, no início do segundo ano, mudei para ginecologia.
Participei de cursos, li alguns livros, mas... Mudei no finalzinho do ano para oftalmologia. Iniciei o terceiro ano lendo revistas científicas de oftalmo e procurei os professores da disciplina, para tentar um estágio e conhecer melhor a especialidade.
A bagunça na disciplina era tão grande, que não consegui sequer saber com quem deveria falar para obter uma vaga.
No dia em que decidi que não queria aquilo, sai da sala do oftalmo e olhei para o lado. Estava escrito bem grande: OTORRINOLARINGOLOGIA.

Entrei directo na sala e acompanhei uma consulta do residente.
Naquele dia, fui para casa com a certeza de ter encontrado a profissão da minha vida.
Quais são os aspectos bons e ruins da sua profissão?
Como trabalho da forma como sempre quis, seria incoerente citar algo ruim na minha profissão.
Entretanto, de uma forma geral, creio que o controle dos convénios médicos sobre os honorários médicos é o maior câncer existente na profissão médica. Para minha felicidade, não trabalho com nenhum convénio médico.
Como foi sua infância?

Feliz, cheia de sonhos.
Como é sua família?
Feliz, cheia de esperanças.
Como são seus amigos?
São de todo o tipo.
Alguns são revoltados, outros são ‘senhores da razão’.
Uns são pessimistas, outros são carentes ou inseguros.
Livros, Revistas, Filmes, Bandas musicais, o que nos recomenda.
Recomendo livros que narram histórias de personalidades importantes para a humanidade, pois sempre aprendemos algo com a história de pessoas fortes.
Todas as bandas de rock merecem um minuto da nossa atenção.
O que acha que o fórum deve melhorar?
Deve conseguir mais gente com intenção de trocar boas ideias.
O que te faz feliz?
Tudo o que me cerca.
O que te entristece?
Pouca coisa ou nada.
Já fez alguma loucura por amor?

Já fiz loucuras COM o meu amor.
O que te deixa de mal humor?
Nada.
Tem algum sonho que ainda não realizou? Qual?
Independência financeira, que significa poder deixar de trabalhar ou trabalhar apenas por diversão.
Tem animal de estimação? Qual?
Não.

Quer dizer, minha sogra comprou um peixinho e deu para meu filho, em Fevereiro.
O que é ser um bom amigo?
Querer o sucesso do amigo é ser um bom amigo.
Prefere o dia ou a noite? Por quê?
O dia.

Porque é quando podemos dar nossa contribuição ao mundo.
Costuma ser firme em suas decisões?
Sim, porque minhas decisões são tomadas depois de bastante reflexão.
Portanto, não cabe espaço para posteriores ajustes.
Quem fala mais alto, razão ou coração? Por quê?
Na maioria das vezes é a razão.
Porque é o que nos move com segurança.
O que te faz feliz no dia a dia?
Poder observar que cada dia é exactamente como queria que fosse.
Tem medo da solidão?
Sim.

Associo solidão com depressão, então é melhor fugir disso, né?
O que falta na sua vida pessoal e profissional?
Não sinto falta de nada.
Tudo o que queria na esfera pessoal já obtive ou venho obtendo e na esfera profissional já conquistei tudo de que preciso para a realização plena num futuro próximo.
Agora responda com uma palavra:

Se você fosse:
Um mês seria…
Fevereiro, o mês das minhas mulheres (mãe, irmã, esposa, sogra, duas ex-namoradas)
Um dia da semana seria… sábado
Um número seria… dois
Um planeta seria… Vênus
Uma direcção seria… aqui, Guanambi
Um móvel seria… cadeira
Um líquido seria… água
Um pecado seria… prazerosamente bem feito
Uma pedra seria… preciosa
Um metal seria… ouro
Uma árvore seria… que desse bastante sombra ou frutos
Uma fruta seria… todas
Uma flor seria… rosa
Um instrumento musical seria… baixo ou guitarra
Uma cor seria… azul
Um animal seria… cavalo
Um som seria… gota d’água
Um perfume seria… o dela
Um sentimento seria… felicidade
Um momento seria… hoje
Um livro seria… Pai Rico Pai Pobre
Um lugar (cidade) seria… Guanambi
Um sabor seria… frutos-do-mar
Uma palavra seria… PAZ
Um verbo seria… ação
Um objecto seria… talismã
Uma parte do corpo seria… rosto
Um desenho animado seria… Pica-Pau
Um filme seria… Duna
Uma estação seria… Primavera
Se escrevesse um livro, sobre o que falaria?
Escrevi um livro sobre Otorrinolaringologia, quando estava entre o quinto e o sexto ano.
Publicamos ele em 1997, quando trabalhava como plantonista.
Hoje em dia, poderia escrever um livro sobre os órgãos dos sentidos ou sobre a genealogia da minha família.

Livro que escrevi
Já se viu praticando outra profissão que não a tua? Qual?
Sim. Poderia exercer inúmeras actividades.
Fui professor universitário e me sentia muito bem.
Pena que a remuneração é vergonhosa...
Com uma palavra, descreva o que significa pra ti...
...amor: querer o melhor para uma pessoa sem exigir nada em troca, nem o amor recíproco.
...ódio: sentimento mesquinho.
...beleza: exclusividade feminina.
...coragem: dizer o que pensa.
...pecado: poderia morar ao lado, não é?
...frescura: querer as coisas sempre do seu jeito.
...paixão: todas as que vivo em cada uma de minhas fases.
...miséria: o estado de metade das pessoas no nosso mundo, por culpa da outra metade.
...local preferido: minha casa.
...uma mulher: minha esposa tem se transformado numa grande mulher.
...um homem: Mahatma Gandhi.
...futilidade: valorizar demais os comentários alheios.
...onde não voltaria: voltaria a todos os lugares por onde passei.
...onde quer voltar mas nunca consegue: minha cidade natal.
Tens algum segredo que nos possas contar?
Se contar-lhes, deixará de ser segredo...
No teu tempo de faculdade, o que mais te marcou?
Muita coisa.
O período da faculdade coincide com o período de maturação sexual e das experiências sexuais. Coincide também com o período em que consolidamos muitas de nossas convicções sobre o mundo e as pessoas.
Me recordo das conversas abertas com as alunas de pedagogia e de biologia, das tardes em que trocava as aulas de anatomia e bioquímica por longos passeios pelo campus, das aulas nocturnas, em que corria para pegar o intervalo na Famecos (Faculdade dos Meios de Comunicação), que contava com uma rádio interna.
A rádio servia como ‘fofocômetro’.
Certa vez, numa daquelas noites, ouvimos (um colega de sala e eu) o seguinte:
‘Recado da Fulana para Sicrano: da próxima vez, coma mais amendoim, hein?’.
Me recordo de uma aula que assisti com um amigo na faculdade de jornalismo, na qual tive de fazer uma redacção (assinei como Adilson Maguila Rodrigues) e noutra de psicologia – em que entrei convidado por uma colega dos tempos de escola – na qual tive de ler um capítulo de um livro sobre condicionamento.
É que, sendo uma turma de psicologia, haviam apenas quatro homens matriculados, mas em sala estavam cinco...
Rapidamente o monitos, aluno veterano, reconheceu em mim uma presença misteriosa. Percebi quando ele chamou o professor e cochichou algo.
Vi quando o professor disse ao rapaz que não tinha nenhum problema, mas senti na pele quando ele disse para o mocinho de azul ler o capítulo sobre condicionamento. Eu não tinha o livro e minha ex-colega teve de me socorrer...
Depois, só risos. Claro!
Também foste à praxe (acho que aí se chama trote), no teu tempo de caloiro?
Sim.
A turma de medicina tradicionalmente aplicava o trote na quinta-feira da segunda semana de aula.
Era aula de anatomia e tivemos a aula invadida por vândalos (nossos veteranos do segundo ano).
Passaram uma cordinha pela nossa calça e, um a um, íamos marchando pelas ruas do campus.
Nos deram chiclete com alho, cachaça, nos pintaram com farinha, tinta guache, ovos, óleo, graxa...
No final, fizemos um grande círculo numa área central da faculdade, onde tivemos de jurar lealdade aos nossos veteranos e participamos de algumas brincadeiras, como colocar camisinha numa cenoura, passar Halls de boca em boca e outras coisas do tipo.
Fizeste muitas loucuras? Quais?
Diversas!
Acho melhor deixar para uma secção erótica...
Arrependeste-te de algo? Se sim, desabafa connosco.
Nada que fiz foi motivo de arrependimento.
Mudarias de profissão?
Não. Sou feliz com o que faço, plenamente.
Tiveste alcunha de infância?

Sempre me chamaram de Beto.
Separas o lixo em casa?
Não.
Nossa cidade não faz coleta selectiva de lixo.

Separação do lixo é dever do cidadão
Mesmo assim, por vezes faço um lixo só com embalagens plásticas, mas o coloco junto com o lixo normal.
Qual a maior mentira que já pregas-te?
Quando estava no ensino médio, em certo momento disse que já havia transado.
Era mentira! Coisa de adolescente...
Que talento pagarias para ter?
Nenhum.
Tens mau acordar?

Não.
Qual foi a última coisa que compras-te com mil reais?

Uma maleta para duas armas longas.
Qual a expressão que mais usas?
Não tenho nenhuma expressão característica, penso eu.
Qual o traço de carácter que menos aprecias nos outros?

Ganância.
Detestas uma pessoa, qual o programa de televisão que o farias ver?
Se não gostasse de alguém, ia preferir não manter contato.
Por outro lado, não iria desejar-lhe mal algum.
Vês exposições? Qual foi a última?
Aqui estamos longe de muita coisa que se refere à cultura. Me lembro de ter visto uma exposição sobre Antárctida e outra sobre a saga Star Wars quando estive em Madrid, no ano passado.

Já te sentis-te envergonhado por se Brasileiro?
Não. Pelo contrário.
Qual o teu herói da ficção cientifica?
Gostava, quando criança, do Aquaman e do Homem-Pássaro. Na adolescência, passei a admirar o poder de Darth Vader. Na fase adulta, meus heróis são de verdade.

Se não fosse Otorrinolaringologista o que seria, em termos de outra área médica?
Provavelmente teria fica na gineco-obstetrícia, pois foi o estágio em que mais me destaquei.
E fora da área médica?
Tentaria montar uma empresa que trabalha com pesquisa ou educação.
E se vivesse na idade média o que seria
Não faço idéia.
Provavelmente tentaria ser um lobbista, alguém que está nos bastidores da política e do poder.
E no Egipto ou Grécia antiga?
Não conheço bem as opções sociais que haviam, mas desconfio que seria apenas mais um na multidão.
Fale o que pensa, sabe, sobre a aposentadoria?
É um período em que devemos olhar para trás e poder dizer ‘fiz tudo o que deveria ter feito’.
Quando se aposentar, chegar na velhice, bem velhinho, como você imagina sua vida, ou o que pretende fazer, continuar trabalhando?
Os médicos costumam trabalhar até que não tenham mais forças para manter o ritmo de trabalho, então de certa forma também me preparo para este horizonte possível.
Por outro lado, a verdade é que muitos dos meus colegas não prepararam-se para a velhice e ainda hoje precisam encarar plantões extremamente desgastantes, por não terem economias que lhem permitam ficar mais tempo em casa.
Uma pena.
Eu pretendo obter uma parcela de liberdade a cada novo ano, de forma que possa no futuro ir para qualquer lugar e fazer o que quiser a cada dia.
Diz pra nós o que tu acha que vai ser marcante no mundo daqui a 5 anos, 10 anos, 20 e 50 anos?
Não faço idéia.
O que você faz no dia a dia para preparar seus filhos para o mundo?
Procuro mostrar-lhes que suas decisões de hoje exercem influência sobre o dia seguinte.
Explico que a decisão de não estudar hoje terá como conseqüência a nota ruim de amanhã, por exemplo.
Eles são preparados, explicando de forma resumida, para assumirem as decisões que tomam.
Você se acha um pai super-protector?
Não, pois a proteção em excesso atrapalha.
Apenas tomo o cuidado de escolher uma boa escola, observar quem são os seus amigos e os pais dos amigos.
O resto é com eles: saber encarar as dificuldades da vida e ter frieza para escolher a melhor solução.
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Não se preocupe com as pequenas coisas. Mantenha o foco de sua atenção somente naquilo que pode mudar sua vida.














