
Um grupo de mulheres resolveu estufar o peito de orgulho – e não mais com enchimentos, como fizeram por muitos anos. As pouco favorecidas na questão peitoral, as despeitadas ou as “flats” (planas), como se diz em inglês, cansaram de se envergonhar da falta de exuberância na comissão de frente e decretaram o orgulho de não ter peito.
Uma reportagem do jornal americano “The New York Times” retrata a tendência entre as americanas – algo notável na terra de Pamela Anderson, atriz que encantou marmanjos lá e cá ao correr turbinada pelas praias da Califórnia no extinto seriado Baywatch (SOS Malibu, na versão brasileira).
Além de blogs que exaltam as formas, digamos, mais comedidas, já há comunidades na rede de relacionamento Facebook para quem se encaixa – ou simpatiza – com a categoria. E não são poucos os fãs. Entre os homens, há aqueles que prezam a beleza que já vem de fábrica e torcem o nariz para as transformações radicais que a medicina estética é capaz de promover. Outros gostam mesmo de formas delicadas. Não gostam da abundância que predominou como padrão de beleza nas últimas décadas. Também tem a turma do contra. Na Austrália, já andaram até pensando em proibir atrizes de peito pequeno de protagonizar filmes eróticos (referência à pedofilia, alegaram).
O reflexo dessa declaração de independência já chegou até as lojas. Várias coleções de lingerie dos Estados Unidos estão produzindo peças em modelos menores, sem enchimentos. As mulheres entendem o avanço que isso representa: só nós sabemos o quanto é difícil encontrar sutiãs que não tenham bojo ou enchimentos para valorizar as formas e enganar os olhos. Até quem gosta do peito que tem fica turbinada com os sutiãs expostos nas araras.
Resta saber se a conquista na linha do “você é perfeita do seu jeito” vai pegar (sem nenhum trocadilho). As modas vêm e vão, até quando a questão é peito, como já disse a Martha aqui . Pelo menos, a de agora é mais coerente com o padrão estético que reina atualmente. Como é possível ser magra e ter uns peitões? Depois de um regime, os primeiros volumes a desaparecer são aqueles que não deveriam: seios, bumbum, pernas. A barriga, para quem adoraríamos dar adeus, continua lá, firme e forte na melhor das hipóteses (porque a bendita ainda pode ficar flácida!). Só silicone dá jeito nos peitos que se foram. O resultado é que muitas mulheres começam uma modificação sem fim do próprio corpo para se encaixar em um padrão pouco natural.
A prova de que os seios pequenos não fazem ninguém menos bonita está bem à vista (ou quase) entre as famosas. A atriz britânica Keira Knightley é o maior exemplo do grupo “não tenho peito e não tô nem aí”. A atriz Julia Roberts é outra inspiração. Até a atriz americana Kate Hudson, que resolveu colocar implantes de silicone, não abandonou as colegas de time. Escolheu implantes bem pequenos e naturais.
Vocês, homens, concordam que não é preciso ter peitão para ser um mulherão?
Revista Epoca













